Diferenças entre edições de "Pílula contracetiva – verdades e mitos"

 
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A pílula é o método contracetivo mais utilizado pelas mulheres em todo o mundo.<br>
 
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No entanto, existem diversos conceitos errados sobre a utilização deste meio de prevenir uma gravidez.<br>
 
No entanto, existem diversos conceitos errados sobre a utilização deste meio de prevenir uma gravidez.<br>
O objetivo deste artigo é esclarecer a população geral relativamente a mitos comuns sobre este método contracetivo.<br>
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Este artigo procura melhorar o conhecimento deste método contracetivo, esclarecendo mitos comuns que lhe estão associados.
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Todas as pílulas evitam a gravidez, mesmo as designadas “pílulas fracas” ou “pílulas de amamentação”. A diferença entre as diversas pílulas reside no tipo e na concentração das hormonas que as constituem, o que lhes confere diferentes propriedades para além da sua função contracetiva.<br>
 
Todas as pílulas evitam a gravidez, mesmo as designadas “pílulas fracas” ou “pílulas de amamentação”. A diferença entre as diversas pílulas reside no tipo e na concentração das hormonas que as constituem, o que lhes confere diferentes propriedades para além da sua função contracetiva.<br>
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As hormonas das diferentes pílulas atuam por diversos mecanismos, sendo um dos mais importantes a [http://metis.med.up.pt/index.php/O_Ciclo_Sexual_da_Mulher inibição da ovulação]. Estas hormonas têm um efeito variável sobre o [http://metis.med.up.pt/index.php/O_Ciclo_Sexual_da_Mulher ciclo menstrual]. Consequentemente, algumas pílulas regularizam o ciclo, enquanto outras (as progestativas) podem induzir ciclos irregulares, ou mesmo ausência de menstruação, o que pode ser vantajoso para algumas mulheres. É importante saber que a presença ou ausência de menstruação não se relaciona com a eficácia da pílula.<br>
 
A eficácia da pílula contracetiva é de 99,7% se utilizada corretamente e sem esquecimentos. O dia-a-dia, porém, diz-nos que o mundo real não é perfeito e na prática pode haver até 8% de falhas a maior parte das vezes por esquecimento da toma, mas também por outros motivos como ter vomitado logo após a toma, interações com outros medicamentos, e algumas doenças da mulher.<br><br>
 
A eficácia da pílula contracetiva é de 99,7% se utilizada corretamente e sem esquecimentos. O dia-a-dia, porém, diz-nos que o mundo real não é perfeito e na prática pode haver até 8% de falhas a maior parte das vezes por esquecimento da toma, mas também por outros motivos como ter vomitado logo após a toma, interações com outros medicamentos, e algumas doenças da mulher.<br><br>
 
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É importante considerar que, se a mulher efetivamente tem dificuldade em manter uma toma diária regular, deverá optar por outro método contracetivo:
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Edição atual desde as 10h05min de 10 de janeiro de 2019

Autor: Beatriz Soares, Mágui Neto

Última atualização: 2016/05/13

Palavras-chave: Anticoncepção, Fertilidade, Sexualidade, Saúde Reprodutiva, Fármacos para a fertilidade feminina



Resumo


A pílula é o método contracetivo mais utilizado pelas mulheres em todo o mundo.
No entanto, existem diversos conceitos errados sobre a utilização deste meio de prevenir uma gravidez.
Este artigo procura melhorar o conhecimento deste método contracetivo, esclarecendo mitos comuns que lhe estão associados.




Pílula contracetiva – verdades e mitos


Em Portugal, 85,4% da população feminina em idade fértil usa algum tipo de método contracetivo segundo o Inquérito Nacional de Saúde de 2009.
A pílula é de longe o método mais utilizado.

Métodos de contracepção em Portugal, a sua eficácia e adesão
Adaptado de Consenso sobre Contraceção, 2011
Método % de mulheres que utilizam % gravidezes não planeadas % mulheres que
mantém o método
após 1 ano
1997 2005-06 Uso correto Uso habitual
Pílula 62,3% 65,9% 0,3% 8,0% 68%
Preservativo 14,6% 13,4% 2,0% 15,0% 53%
DIU (cobre) 9,7% 8,8% 0,6% 0,8% 78%


Tipos de pílulas


Todas as pílulas evitam a gravidez, mesmo as designadas “pílulas fracas” ou “pílulas de amamentação”. A diferença entre as diversas pílulas reside no tipo e na concentração das hormonas que as constituem, o que lhes confere diferentes propriedades para além da sua função contracetiva.

Contraceptive-pills-849413 1920.jpg

A escolha de uma pílula deve ser feita numa conversa entre a mulher e o seu médico, de forma individualizada, considerando:

  • A idade os problemas de saúde da mulher;
  • Vantagens extra-contracetivas (por exemplo, regular os ciclos, reduzir o acne ou pelo excessivo, etc…)
  • Preferência da própria mulher.

De uma forma muito geral, existem 2 tipos de pílulas, cada qual com as suas vantagens, desvantagens e contraindicações:

  • As que têm 2 tipos de hormonas (estrogénios e progestativos, ou “pílulas combinadas”
  • As que têm apenas 1 tipo de hormonas (progestativos).

As pílulas também diferem quanto ao esquema de toma. Há pílulas que devem ser tomadas durante uns dias consecutivos com uma pausa (o mais comum é 21 dias com uma pausa de 7 dias), e outras que devem ser tomadas continuamente durante 28 dias, sem pausas.
A tão conhecida “pílula de amamentação” é uma pílula apenas com progestativos. Está indicada para as mulheres que estão a amamentar, pois os estrogénios das pílulas combinadas interferem com a produção de leite materno, estando contraindicados nos primeiros 6 meses de amamentação.
As designadas “pílulas fracas”, ou de baixa dosagem, são pílulas com menor quantidade de estrogénios, o que poderá ter vantagens para algumas mulheres.

Como funcionam as pílulas?


As hormonas das diferentes pílulas atuam por diversos mecanismos, sendo um dos mais importantes a inibição da ovulação. Estas hormonas têm um efeito variável sobre o ciclo menstrual. Consequentemente, algumas pílulas regularizam o ciclo, enquanto outras (as progestativas) podem induzir ciclos irregulares, ou mesmo ausência de menstruação, o que pode ser vantajoso para algumas mulheres. É importante saber que a presença ou ausência de menstruação não se relaciona com a eficácia da pílula.
A eficácia da pílula contracetiva é de 99,7% se utilizada corretamente e sem esquecimentos. O dia-a-dia, porém, diz-nos que o mundo real não é perfeito e na prática pode haver até 8% de falhas a maior parte das vezes por esquecimento da toma, mas também por outros motivos como ter vomitado logo após a toma, interações com outros medicamentos, e algumas doenças da mulher.

Quem não deve tomar a pílula?


O balanço entre os riscos e os benefícios de tomar uma determinada pílula deve ser ponderado individualmente.
Existem casos em que as mulheres não podem tomar a pílula (contraindicações absolutas):

  • Gravidez;
  • Tumor dependente de hormonas (mama, ovário, útero, etc);
  • Tumor do fígado ou doença hepática crónica;
  • Hemorragia genital anormal sem diagnóstico conclusivo;
  • Antecedentes de acidente vascular cerebral (AVC) ou acidente isquémico transitório
  • Antecedentes de enfarte cardíaco ou doença cardíaca grave
  • Antecedentes de tromboflebite ou tromboembolismo pulmonar


Algumas mulheres apresentam problemas de saúde que obrigam a ponderar muito bem se podem ou não tomar a pílula (contraindicações relativas):

  • Relacionadas com o aumento do risco de doença cardiovascular (como enfarte cardíaco, AVC ou trombo-embolismo):
    • Hipertensão Arterial
    • Diabetes
    • Excesso de peso
    • Colesterol elevado
    • Enxaqueca (mais grave se houver história de aura)
    • Mais de 35 anos e que fumem - Esta é uma contraindicação desconhecida por muitas mulheres. Sabe-se que o tabagismo aumenta o risco de sofrer de doença cardiovascular (por exemplo, enfarte cardíaco ou AVC), e que a associação com a pílula combinada exacerba esse risco. Assim, todas as mulheres em idade fértil que fumem devem procurar apoio para deixar de fumar ou optar por um método contracetivo alternativo à pílula combinada.
  • Doenças cujo tratamento tenha interferências com a pílula (por exemplo: epilepsia, vírus da imunodeficiência humana (VIH/SIDA), e Tuberculose)


Os antibióticos reduzem o efeito da pílula?


A maioria das mulheres acredita que a toma dos antibióticos mais comuns reduz o efeito da pílula, o que não é verdade. A lista de medicamentos que reduz o efeito da pílula e, portanto, se associa a maior risco de engravidar, é curta, sendo que os únicos antibióticos que a integram são a Rifampicina e Rifabutina, utilizados no tratamento da Tuberculose.
A maioria dos anticonvulsivantes (“antiepiléticos”) também reduz o efeito da pílula e, por outro lado, os antirretrovirais (utilizados no tratamento do VIH/SIDA) podem reduzir ou aumentar a concentração das hormonas da pílula.

É possível engravidar a tomar a pílula?


Pills-1354782 1920.jpg

Se tomada corretamente, a pílula tem uma eficácia de 99,7%, o que significa que, mesmo assim, existe uma probabilidade muito baixa, de 0,3%, de surgir uma gravidez não planeada. No entanto, sabe-se que a maioria dos casos de gravidez em mulheres a tomar a pílula se deve à toma irregular (esquecimentos).

Assim, em caso de esquecimento:

  • E passaram MENOS de 12 horas:
    • Tome o comprimido em falta assim que se lembrar e continue a tomar os restantes no horário habitual;
    • A proteção contra uma gravidez não está diminuída.


  • E passaram MAIS de 12 horas:
    • Tome o comprimido em falta assim que se lembrar e continue a tomar os restantes no horário habitual;
    • Se tiver ocorrido uma relação sexual nos 7 dias anteriores, deverá considerar-se a possibilidade de uma gravidez
    • A protecção contra uma gravidez pode estar diminuída devendo utilizar protecção adicional (por exemplo, preservativo) durante, pelo menos, 7 dias após o esquecimento;
    • Quanto maior for o n.º de comprimidos esquecidos e quanto mais próximo se estiver do intervalo normal sem toma de comprimidos, maior é o risco de uma gravidez.


Em caso de dúvidas, pode sempre aconselhar-se junto do seu médico assistente ou através da Linha Saúde 24.
É importante considerar que, se a mulher efetivamente tem dificuldade em manter uma toma diária regular, deverá optar por outro método contracetivo:



Conclusão


Todas as pílulas evitam a gravidez desde que tomadas corretamente. Cada pílula tem as suas vantagens e desvantagens.
A escolha deve obedecer a uma lógica personalizada em termos da perspetiva das condicionantes de saúde de cada mulher, mas também do contexto familiar, social, cultural e religioso, e da sua vontade e expectativa enquanto pessoa.
Não há receitas universais. Cada caso é único. A informação é a base para uma escolha livre e esclarecida.

Referências recomendadas



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