Estrabismo

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Autor: Inês Trigo, Luís Melo, Constança Oliveira

Última atualização: 2019/12/19

Palavras-chave: estrabismo; esotropia; exotropia; ambliopia; diplopia



Resumo


O estrabismo é um problema visual em que os olhos não estão simultaneamente alinhados e apontam em direções diferentes.
Afeta 3 a 4% de crianças em Portugal e cerca de 3% dos adultos têm visão monocular (ambliopia).
O desvio ocular pode ser persistente ou ocasional, podendo ocorrer em qualquer direção. Dependendo da causa, pode surgir na primeira infância ou mais tarde, manifestando-se com diferentes sintomas.
O tratamento pode incluir a utilização de óculos, a oclusão do olho saudável por penso (na infância) para estimular o desenvolvimento do olho desviado, bem como cirurgia, que é frequentemente necessária. Quanto mais precoce a intervenção terapêutica, melhor o prognóstico.




Estrabismo


Tipos de estrabismo.jpg

O estrabismo é um problema visual em que os olhos não estão simultaneamente alinhados e apontam em direções diferentes, um dos olhos fixando o objeto e o outro fixando um ponto noutra localização. Um ou ambos os olhos podem dirigir-se para dentro, fora, cima ou baixo.
Pode ser latente (que surge ocasionalmente – foria) ou manifesto (constante – tropia).
Designa-se esotropia/foria quando o olho afetado desvia para dentro, exotropia/foria quando o olho desalinha para fora ou hipertropia/foria quando o olho desvia na vertical.

Sinais e sintomas de estrabismo


O principal sinal é um olho que aparece desviado. Na visão normal, os seis músculos de cada olho têm uma ação concertada entre si para permitir os diferentes movimentos oculares, direcionando o olhar para o mesmo ponto. O cérebro, então, combina a imagem percecionada pelos dois olhos numa só.

Músculos oculomotores.jpg

Numa criança pequena, quando um olho está desalinhado, como no caso do estrabismo, o cérebro ignora a imagem proveniente desse olho e passa a ver apenas uma imagem a partir do olho que vê melhor. Neste caso, o olho doente poderá ter problemas no desenvolvimento visual ou mesmo perder a visão – este fenómeno designa-se ambliopia, que ocorre em cerca de metade das crianças com estrabismo.
Se o estrabismo surgir a partir dos 7-9 anos, uma vez que o cérebro já aprendeu a receber duas imagens diferentes, não conseguirá ignorar a imagem do olho desviado e verá duas imagens, resultado do facto de o mesmo objeto ser percecionado simultaneamente em dois locais diferentes no espaço – esta condição designa-se diplopia (visão dupla).
Por vezes, os doentes podem ainda inclinar a cabeça, na tentativa de orientar os olhos para o mesmo ponto, originando posicionamentos anómalos da cabeça.


Em que idade ocorre?


Pode surgir ao nascimento, embora não seja o mais típico, pode desenvolver-se mais tarde na infância ou ocorrer, ainda, mais tardiamente, como manifestação de outras doenças oculares.
Algumas crianças pequenas, sobretudo até aos 6 meses, apresentam pseudoestrabismo, ou seja, apresentando um olhar aparentemente cruzado, apesar de na verdade não estar. Este aspeto deve-se ao facto de as crianças mais pequenas terem frequentemente um nariz achatado, de base larga e uma prega no canto interno do olho. À medida que o bebé cresce deixa de ter esta aparência; se pelos 6 meses mantiver a alteração, deverá ser observado por um médico oftalmologista.

Qual a causa?


A causa exata ainda é desconhecida, embora existam estudos que indicam que pode haver uma componente familiar no estrabismo infantil. O estrabismo é especialmente comum em crianças com distúrbios que afetam o funcionamento cerebral como paralisia cerebral, Síndrome de Down (trissomia 21), hidrocefalia (acumulação de líquido dentro do crânio), tumores cerebrais e prematuridade. Contudo, a maioria das crianças com estrabismo não tem qualquer um dos anteriores problemas. Uma catarata ou uma lesão ocular também podem causar estrabismo.

Prognóstico e tratamento


Há vários tratamentos possíveis, nomeadamente a utilização de óculos nas crianças, a oclusão do olho saudável com um penso durante algumas horas por dia para fortalecer e melhorar a visão do olho desviado e, ainda, a cirurgia para reposicionar os músculos oculomotores desequilibrados ou remover uma catarata.

Oclusão ocular.jpg

A oclusão do olho é importante para tratar a ambliopia nas crianças pequenas, sendo este método geralmente bem-sucedido se for detetada e tratada atempadamente. Se o tratamento for atrasado, a ambliopia pode tornar-se permanente. Quanto mais cedo se instituir a oclusão do olho, melhor será o resultado para a visão.
A cirurgia é frequentemente necessária, podendo intervir-se em um ou nos dois olhos. É um procedimento comum e a maioria dos doentes terá uma melhoria significativa no alinhamento dos olhos. O tempo de recuperação é rápido, de poucos dias. Após a cirurgia, ainda pode ser necessária a utilização de óculos, bem como mais do que uma cirurgia.

Conclusão


O estrabismo é um problema que pode surgir na infância ou idade adulta. É importante reconhecer sinais/sintomas, uma vez que quanto mais precoce a instituição da terapêutica, melhor o prognóstico.

Referências recomendadas



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