Doença displásica da anca

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Autor: Tiago Sousa, Ana Domingues, Diogo Beirão

Última atualização: 2019/12/20

Palavras-chave: Luxação congénita da anca; Articulação coxofemoral; Rastreio neonatal; Recém-nascido



Resumo


A doença displásica da anca é um problema que afeta uma das articulações da anca da criança.
Não há propriamente uma causa definida, mas está relacionada com fatores genéticos, com o desenvolvimento do feto durante a gravidez e com o posicionamento do bebé.
É uma condição detetável no exame da criança logo após o nascimento e ao longo do desenvolvimento até atingir a idade da marcha. A deteção precoce e a orientação adequada previnem complicações como a artrose da articulação da anca (coxofemoral) em idade precoce.




Doença displásica da anca


A doença displásica da anca é um problema do desenvolvimento que afeta uma das articulações da anca da criança. A malformação deste encaixe dificulta a contenção da cabeça do fémur, prejudicando o movimento e favorecendo o seu envelhecimento (artrose) precoce.
Estão implicados alguns fatores de risco para esta condição, nomeadamente:

  • Laxidez ligamentar – as hormonas maternas enfraquecem os ligamentos do feto, afetando mais as bebés do sexo feminino.
  • Apresentação pélvica – o risco de doença displásica da anca é maior se o bebé estiver na posição “sentado”, que é mais comum se houver diminuição do líquido amniótico dentro do útero ou na primeira gravidez da mãe.
  • Posicionamento do bebé – algumas posições utilizadas para transportar o bebé podem contribuir para a doença displásica da anca, principalmente as que contrariam a posição normal dos membros inferiores ligeiramente fletidos e afastados.
  • Fatores genéticos - algumas características étnicas particulares influenciam o risco de doença displásica da anca, que é menos comum nos africanos e asiáticos.



Rastreio e Diagnóstico


Está indicado o rastreio sistemático da doença displásica da anca nas consultas de saúde infantil até aos 6 meses de idade.

O que é que os pais podem observar?


A diferença de comprimento dos membros inferiores pode ser vista pelos pais desde o nascimento, esticando os membros lado a lado; à medida que começa a caminhar, torna-se óbvio um “mancar”, ou até a “marcha de pato” nos casos bilaterais.

O que é que o médico procura?


O médico assistente irá realizar manobras (de Barlow e de Ortolani) que lhe permitem avaliar a articulação no primeiro mês de vida, à procura de um ressalto, muito característico desta doença. A partir do 1.º mês de vida, podem ser evidentes a assimetria no nível dos joelhos fletidos (sinal de Galeazzi) e a limitação do grau de abertura da anca.

Como confirma a suspeita?


O diagnóstico é confirmado através da requisição de exames (ecografia nos bebés mais novos e radiografia nos mais velhos). Não há evidência de que seja útil a realização de exames de imagem para rastreio.

Tratamento


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A resolução deste problema passa por manter a cabeça do fémur no local correto, durante um período de tempo, para que o desenvolvimento do osso ocorra de forma adequada.
Até às 4 semanas de idade, é lícito aguardar antes de intervir. Nesta fase, muitos bebés têm os ligamentos e as articulações ligeiramente imaturas, pelo que o problema pode resolver-se espontaneamente através da maturação com o tempo.
Entre as 4 semanas e os 6 meses de idade, o bebé deve ser orientado numa consulta de especialidade, onde serão usados aparelhos de abdução das ancas. Os aparelhos mais frequentemente utilizados são a tala de Von Rosen e o aparelho de Pavlik. Este último deve ser utilizado durante 23 horas diárias, exceto durante o banho, durante as primeiras 6 semanas ou até estabilização da anca. Após estabilização, este deve ser utilizado à noite durante 6 semanas adicionais. O tratamento dura pelo menos 2 a 3 meses, podendo ser prolongado conforme a idade de início e a reposta à terapêutica.
É muito comum a ideia de utilizar 2 ou 3 fraldas para obrigar as ancas à posição de encaixe, mas não está demonstrado o valor terapêutico e pode até ser prejudicial.
Caso não ocorra melhoria com ortótese ou a criança apresente mais de 6 meses de idade, está indicada intervenção cirúrgica no bloco operatório.

Prognóstico


De uma forma geral, quando detetados e orientados precocemente, os casos de doença displásica da anca têm evolução favorável e boa recuperação funcional. A precocidade é fundamental.

Conclusão

A doença displásica da anca é um problema potencialmente grave, identificável na consulta infantil de rotina. Quanto mais precoce a deteção, mais fácil e melhor sucedido será o tratamento.

Referências recomendadas



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