Disfunção da mandíbula

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Autor: Joana Sousa

Última atualização: 2020/04/01

Palavras-chave: disfunção temporomandibular, mandíbula, boca, dor



Resumo


As articulações temporomandibulares são as responsáveis por abrir e fechar a boca, constantemente utilizadas cada vez que conversamos, mastigamos ou simplesmente mexemos a boca.
A disfunção temporomandibular corresponde à doença desta articulação. Manifesta-se por dor, diminuição da abertura e limitação funcional da mandíbula, com maxilar “preso” ou a fazer “cliques”.
Não existe ainda uma cura, mas existem algumas recomendações que ajudam a gerir esta doença, de forma a diminuir o impacto considerável desta doença na qualidade de vida do doente.




Disfunção temporomandibular


A disfunção temporomandibular engloba qualquer patologia que envolva a articulação temporomandibular, os músculos da mastigação, o osso circundante ou os tecidos próximos.

Como funciona a articulação temporomandibular?


A articulação temporomandibular une a mandíbula ao crânio e é responsável pelos seus movimentos. É uma articulação muito usada diariamente, em atividades como conversar, mastigar ou simplesmente mexer a boca, através do movimento de diferentes músculos.

Quais são os sintomas?


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O sintoma que predomina é a dor, que se faz sentir em cima da articulação ou nos músculos à sua volta, podendo irradiar até ao ouvido, olho, garganta, pescoço ou cabeça.
Outras manifestações frequentes são a diminuição da abertura e a limitação da mandíbula, com sensação de maxilar “preso”, a fazer “cliques” ou “a estalar”, e dificuldades na mastigação. Por vezes pode existir medo de abrir a mandíbula, e alguns sintomas do ouvido, como zumbido, vertigem e sensação de diminuição da audição.

O que pode causar problemas nesta articulação?


Várias condições podem causar disfunção nesta articulação e danificar os músculos, o osso ou os ligamentos, mas a causa exata é desconhecida. A disfunção temporomandiular pode ocorrem em:

  • Hábitos parafuncionais (ranger os dentes - bruxismo, cerrar os dentes, morder os lábios ou a bochecha)
  • Stress emocional
  • Traumatismo da mandíbula
  • Abertura exagerada da mandíbula (procedimentos dentários, intubação, bocejar)
  • Laxidez articular, isto é, ter os ligamentos demasiado frouxos
  • Doença reumática (artrite reumatoide, espondilite anquilosante, artrite psoriática, gota, artrite infeciosa)
  • Desgaste da articulação (artrose)


Como se faz o diagnóstico?


O diagnóstico baseia-se no conjunto de sintomas presentes no doente. Em alguns casos pode ter interesse uma radiografia da articulação.

O que fazer durante uma crise de dor?


  • Aplicar calor/frio: aplicar na articulação, durante 5 a 10 minutos, calor (ajuda os músculos a relaxar) e em seguida frio (alivia a dor), durante 5 a 10 minutos. Repetir várias vezes por dia.
  • Analgesia: medicamentos para aliviar a dor, como os analgésicos ou os anti-inflamatórios, ou para promover o relaxamento muscular.
  • Massagem local pode ajudar.
  • Goteira de oclusão: pode ajudar a aliviar a dor
  • Evitar alimentos duros, que exijam mais esforço de mastigação
  • Se a articulação estiver bloqueada, deve ser avaliado rapidamente pelo médico.



Qual é o tratamento?


O tratamento depende da gravidade da doença, das limitações causadas e da interferência nas atividades da vida diária de cada pessoa. Não existe ainda uma cura, mas existem algumas recomendações que ajudam a gerir esta doença e a prevenir as crises:

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  • Cuidados Pessoais: evitar hábitos de cerrar os dentes, mascar pastilhas, roer as unhas, morder os lábios ou a bochecha. Evitar uma má postura da cabeça e pescoço. Cortar alimentos em pedaços pequenos, evitar alimentos duros ou pegajosos, ou que obriguem a abrir muito a mandíbula. Não apoiar sob o queixo enquanto estiver numa mesa. Durante o bocejo, apoiar a mandíbula, pondo as costas da mão sob o queixo.
  • Fisioterapia: ajuda a educar a mandíbula, pescoço e cabeça, e a melhorar os movimentos da mandibula.
  • Goteira de oclusão: alivia a pressão na articulação por forçar uma posição mais fisiológica
  • Técnicas comportamentais: terapia de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental
  • Exercícios de alongamento da mandíbula:
    • Colocar o polegar de uma mão na borda dos dentes superiores e os dedos indicador e médio (2º e 3º dedos) da outra mão na borda dos dentes inferiores, com o polegar sob o queixo e os dedos de uma mão a tocar nos da outra
    • Abrir cuidadosamente a mandíbula, usando apenas os dedos, sem usar os músculos, até sentir a mandíbula a alongar, mas sem dor
    • Segurar 10 segundos e deixar a mandibula fechar, até os dedos voltarem a tocar
    • Repetir 10 vezes, e realizar 2 séries por dia (uma vez de manhã e uma à noite)


Conclusão


A disfunção temporomandibular pode ter um impacto considerável na qualidade de vida do doente pelo que a prevenção das crises e o tratamento atempado das mesmas é fundamental.

Referências recomendadas





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