Escarlatina

Autor: Sara Carvalho

Última atualização: 2017/11/03

Palavras-chave: Escarlatina, Amigdalite, Streptococcus pyogenes, Eritema

Resumo


A escarlatina é uma infecção bacteriana muito contagiosa, causada pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A). Esta bactéria pode ser causa de muitas infeções, como a Amigdalite, a Escarlatina, o Impetigo, e de complicações graves como Febre Reumática e Doença Renal.
Atinge principalmente crianças dos 5 aos 15 anos, sendo rara antes dos três anos e é mais frequente no Inverno e Primavera. Esta doença ocorre principalmente em doentes com amigdalite ou faringite estreptocócica, mas pode também seguir-se a infeções da pele causadas pela mesma bactéria. O sintoma clássico desta doença é uma erupção vermelha da pele (pintas vermelhas) com textura áspera tipo lixa.
Antes da era dos antibióticos, a escarlatina era uma doença comum e muitas vezes grave, mas hoje em dia é facilmente tratada com antibióticos para eliminar rapidamente os sintomas, reduzir o contágio e prevenir complicações futuras.




Escarlatina


A Escarlatina é uma doença contagiosa infeciosa aguda, causada pelo Streptococcus pyogenes, que atinge principalmente crianças, e caracteriza-se sobretudo por dor de garganta e pequenas manchas vermelhas na pele.

Sinais e Sintomas


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  • Garganta muito vermelha e dolorosa (dificuldade em engolir);
  • Eritema cutâneo que desaparece à digitopressão (ao passar o dedo), com textura rugosa tipo lixa;
  • Febre (≥ 38.3 °C).
  • Língua tipo "framboesa" (vermelha e com papilas salientes).
  • Manchas de Forschheimer: pontos vermelhos no palato mole (fundo do céu da boca).
  • Dores de cabeça e dores musculares.
  • Náuseas, vómitos, dor abdominal.
  • Inflamação dos gânglios.



Quem e Como? Epidemiologia e formas de transmissão


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Atinge geralmente crianças entre os 5 e os 15 anos de idade', principalmente no Inverno e Primavera. Estudos revelam que por volta dos 10 anos cerca de 80% das crianças já desenvolveram anticorpos que as protegem das toxinas do Streptococcus pyogenes, e previnem o desenvolvimento da doença.
O Homem é o reservatório primário desta bactéria, não havendo evidência de que os animais domésticos a possam transmitir. As bactérias estreptocócicas do grupo A podem viver no nariz e na garganta das pessoas e propagam-se mediante o contacto com gotículas provenientes da tosse ou dos espirros duma pessoa infectada, ou com objectos ou vestuário contaminados, seguido de contacto com a boca ou nariz. Também se pode contrair a escarlatina pelo contacto com lesões cutâneas infetadas por estreptococos do grupo A.

Período de incubação


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Em geral, a doença inicia-se com febre e dor de garganta. Pode também levar a arrepios, vómitos e dores abdominais. A língua pode inicialmente estar coberta por uma capa esbranquiçada que depois ficar com uma aparência de "framboesa" (vermelha com pequenas saliências). A garganta e as amígdalas ficam muito vermelhas e dolorosas ao engolir.
Um ou dois dias após o início dos sintomas, surge o vermelhão da pele, um exantema típico de cor “escarlate”, que dá o nome à doença, causado por uma toxina pirogénica (veneno) produzida pela bactéria estreptocócica. Começa por pontos vermelhos lisos que pouco a pouco ficam salientes e rugosos como uma lixa. A erupção aparece geralmente primeiro no tronco (peito e/ou costas), e depois pode espalhar-se pelo resto do corpo, ficando mais intensa nas pregas das axilas, cotovelos e virilhas. Também a face fica normalmente vermelha, mas caracteristicamente pálida na área à volta da boca. A erupção persiste normalmente durante uma semana, seguindo-se depois a descamação, que pode durar várias semanas.

Problemas de saúde causados pela escarlatina mal tratada


Se não for devidamente tratada com antibióticos, pode levar a complicações tardias como:

  • Febre reumática (uma doença inflamatória que pode afetar o coração, as articulações, a pele e o cérebro);
  • Doença renal (inflamação dos rins chamada glomerulonefrite pós-estreptocócica);
  • Otite media (infeções de ouvido);
  • Infeções da pele;
  • Abcessos (pús) na garganta;
  • Pneumonia (infeção nos pulmões);
  • Artrites (inflamação das articulações).



Diagnóstico e tratamento


Diversos vírus e bactérias podem causar dor de garganta e erupção da pele (exantema). O diagnóstico confirma-se por um teste rápido imunológico, que o seu médico pode fazer no consultório. Neste teste colhe-se uma amostra das secreções da garganta com uma zaragatoa para pesquisa do estreptococo do grupo A.
A Escarlatina desaparece por si só após cerca de duas semanas, mas o tratamento permite atenuar os sintomas e diminuir o contágio, bem como evitar as eventuais complicações tardias graves.
O antibiótico de primeira escolha é penicilina ou seus derivados, com poucos os registos de resistências.

Como prevenir as infeções


Não existe hoje-em-dia nenhuma vacina para prevenir a escarlatina. A vacina de George and Gladys Dick, desenvolvida em 1924, foi descontinuada por ser pouco eficaz e pela facilidade em tratar a infeção com o aparecimento dos antibióticos.
A melhor forma de evitar as infeções é lavar as mãos frequentemente e evitar compartilhar roupa pessoal, roupa de cama, toalhas ou outros objetos de uso pessoal. Não se deve levar as mãos à boca, nariz ou olhos depois de ter tocado em local que possa estar contaminado.
O risco de contágio desaparece 24 horas depois do início da toma do antibiótico, pelo que as crianças com escarlatina não devem ir à escola e devem ficar em casa durante pelo menos um dia depois de iniciar o tratamento (Decreto Regulamentar n.º 3/95, de 27 de janeiro).

Conclusão


A Escarlatina é uma infeção contagiosa facilmente tratada. Quando não tratada devidamente pode levar a complicações tardias graves. Por isso, em caso de dor de garganta e eritema cutâneo, procure assistência médica.

Referências recomendadas




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